14 de mar de 2012

A "Fábula" de Cris Braun.


Cris Braun é uma dessas artistas brasileiras que o Brasil deveria conhecer mais. Cantora de voz quente, compositora inspirada, Cris tem prestígio e está sempre cercada de nomes importantes da MPB. Lançou o primeiro CD, “Cuidado Com Pessoas Como Eu” em 1997, guiada pelos braços de Marina Lima, sendo a primeira artistas lançada pelo selo fonográfico desta. “Atemporal”, de 2005, trazia a participação especialíssima de Paula Toller. Estes são apenas dois exemplos do pessoal que circula ao redor de Cris.



Gaúcha, atualmente Cris reside em Maceió, mas garante que a Internet torna as fronteiras cada vez mais próximas. Ex membro do cultuado grupo Sex Beatles, que também revelou o compositor e cantor Alvin L, agora Cris está lançando seu terceiro CD, “Fábula”, um belo poema/musical que trata de forma leve a respeito das durezas (e suavidades) da vida. Mais uma vez cercada de figuras importantes e talentosas (embora nem sempre conhecidos do grande público): Celso Fonseca, Wado, Lucas Santana, Billy Brandão.

Cris Braun concedeu entrevista para Doug Carvalho por e-mail, e falou de sua carreira, de seu novo CD e de projetos futuros. Leia a entrevista, saboreie os vídeos, compre o CD.



DOUG CARVALHO: “Fábula” é o seu terceiro CD solo. Quando vc prepara o repertório para um CD, como é feita a escolha das canções? Elas vão surgindo naturalmente e formando um repertório ou você tem um conceito desde o início que vai guiando a escolha das canções?

CRIS BRAUN: É muito variável. "Fábula" foi se mostrando, só tinha uma canção e a idéia que queria era a historinha deste ser humaninho que vem, vive e vai embora.

DOUG: Como foi a feitura de “Fábula”? Eu sei que vc demorou um bom tempo preparando ele. O intervalo entre o anterior “Atemporal” e o atual é de sete anos. Por qual motivo demorou para concluir esse disco?

CRIS: Demanda externa, outros assuntos, o fato de fazer entre Rio e Maceió, construção mesmo.

DOUG: De que fala a sua “Fábula”? E qual o motivo desse título?

CRIS: Nascemos inocentes e puros, vivemos e temos todas as experiências de amor, perda, ambição, raiva, alegria, constatações sobre a dureza de se viver nas grandes cidades e na melhor das hipóteses, um dia, reencontramos os sentidos e a paz ! Fala disso. E por isso mesmo "Fábula", embora nao tenha moral da história.

DOUG: Você tem alguma canção favorita nesse CD?

CRIS: "Terra do nunca mais" (NOTA: uma das duas canções instrumentais do CD)

DOUG: O leitor que tiver a curiosidade de escutar o CD pode fazer em algum site na Internet?

CRIS: www.crisbraun.com.br. E lá baixa os outros tb.

DOUG: Em recente entrevista eu li que você, a um tempo atrás, ficou meio “triste” ao se ver no panorama musical brasileiro, por não ter estourado comercialmente lá atrás, quando gravou o primeiro CD, ao mesmo tempo que também não é parte da chamada “Nova MPB”, mas que depois sacou que tinha um lugar para você. Quando li essa matéria, fiquei meio surpreso pelo fato de não ter “estourado” poder entristecer você, uma vez que a forma como você conduz sua carreira não me passar um interesse de ser comercial. Tudo em seu trabalho me dá a sensação de você ser um desses artistas para quem o resultado artístico é bem mais importante que o valor comercial puramente. Como funciona para você essa questão do resultado artístico versus comercialização da arte?

CRIS: O que eu quis dizer alí, é que o fato de não ter tido mais projeção lá atrás, fazia com que eu nesse momento não soubesse em que lugar estava, para onde me dirigir, e se fazer um disco fazia sentido. Isto me deixou triste, não não ter estourado. Mas passou logo (risos). Todos desejamos viver do que fazemos e ter o reconhecimento merecido. Mas não deixo de fazer o que tenho que fazer, mesmo que não seja exatamente como se quer.

DOUG: Quando cada um dos seus três CDs solos foram gravados, você estava morando em cidades diferentes. Em “Cuidado com pessoas como eu” você morava no Rio de Janeiro, “Atemporal” você morava em Teresópolis, e agora com “Fábula” você está morando em Maceió. Eu tenho a sensação de que cada um desses discos reflete o clima dessas cidades. No “Cuidado” a gente percebe uma coisa mais urbana, no “Atemporal” um certo bucolismo do contato com a natureza. Essa impressão minha é pertinente? Se sim, o que há do clima de Maceió em “Fábula”?

CRIS: "Fábula" tá na cidade e tá no mar. "Fábula" tá na alma.

DOUG: Algumas canções compostas por você tiveram sucesso nas vozes de outros cantores, principalmente “Como é que eu vou embora”, com o Kid Abelha, “Menos carnaval” (que eu adoro, por sinal), com Belô Velloso e “Vênus”, com a Daúde. Já pensou em gravar essas músicas?

CRIS: Sim, tenho planos secretos (risos)!!

DOUG: DVD é uma possibilidade?

CRIS: Do jeito que eu gostaria de fazer seria muito caro. Um dia, talvez.

DOUG: Vc é muito ligada em música clássica. Vc acredita que seu modo de compor incorpora elementos da música erudita?

CRIS: Mais no desejo do que de fato. Mas acho que em algum lugar, sim.

DOUG: Cris, o mercado musical de hoje é complicado. Existe a questão da pirataria e do jabá. Pra tocar no rádio o artista tem que ser contratado de uma grande gravadora ou já ser muito conhecido. Como é para você divulgar o seu trabalho no Brasil inteiro? Morar numa cidade que não é considerada um centro cultural como São Paulo e Rio dificulta, ou a Internet consegue eliminar essa questão geográfica?

CRIS: A Internet é gloriosa neste sentido!

DOUG: Em “Fábula” você gravou duas músicas de Wado, e em 2011 o trabalho dele foi muito bem recebido pela crítica. Como foi seu contato com ele?

CRIS: Wado mora aqui, temos a mesma turminha, e eu admiro muito mesmo o trabalho dele.

DOUG: Essa entrevista está sendo feita para um blog e site sobre cantoras brasileiras. Em seu segundo CD você gravou a música “Nenhuma dor”, lançada em 1967 por Gal Costa, no “Cuidado com Pessoas como eu” você gravou “Bom conselho”, que a Bethânia gravou. Vc se considera uma cantora influenciada por outras cantoras brasileiras?

CRIS: Não, eu gosto de música boa, e ouço muita coisa. Não sinto influências diretas não.

DOUG: No Brasil e fora, quem são os artistas que têm tocado no seu aparelho de som?

CRIS: Wado, Lucas Santtana, Pj Harvey, Silva, Leonard Cohen, Mônica Salmaso, Arvo Part, Bjork, Junior Almeida, Kd Lang, bandas de post rock geralmente instrumentais, Gal, Tiê, galera de Pernambuco, muita instrumental mesmo, tipo orquestra de berimbaus.... muita coisa.

DOUG: Vc foi membro do grupo “Sex Beatles”. Como foi esse período de sua carreira?

CRIS: Rock and roll (risos).

DOUG: Você pretende levar o show de “Fábula” pelo país? Como funciona sua agenda de shows?

CRIS: Pretendo ir aonde os recursos permitirem. Tô indo. (risos)

DOUG: Quero agradecer imensamente por essa entrevista. Sinta-se à vontade para mandar sua mensagem para os que a lerem.

CRIS: Só agradecimentos!! E ... “Gentem”, procurem ser originais e curiosos para ouvir música!! Beijocas!

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